Sobressalto em 2005

 

Em 2005 tive obras cá em casa (Lisboa).
No meio da confusão, o Edmundo, empreiteiro e mestre, além de amigo, impressionado com a quantidade de coisas que se estavam a deitar fora, veio-me perguntar o que fazer ao amplificador Crate que eu cá tinha.
Prevendo alguma solução drástica, pois eu tinha-lhe dito que o ampli estava meio avariado, apressou-se a dizer-me que tinha um amigo electricista capaz de mo recuperar e logo no dia seguinte me trouxe um spray especial para sistemas eléctricos; a verdade é que uns dias depois o Crate estava a funcionar em pleno, com a Ovation a tirar um som razoável.
Recomecei a tocar mais nessa altura e dei-me conta de que os meus dedos estavam cheios de vício - quanto mais tocava, mais me apetecia tocar e passei um período de grande intensidade musical.
Por causa das obras tive necessidade de ir para a minha casa de Porto Covo durante um mês - a casa de Lisboa estava em plenas obras e tornava-se impossível viver nela.
Esse mês em Porto Covo coincidiu com o tal período musical intenso; eu já tinha reparado que havia uma loja de música com bom aspecto em Santo André e um dia fui até lá.
Aí conheci o Tó Carlos, dono da loja e técnico de som, que também faz a gestão de um estúdio de gravação lá existente e é uma excelente pessoa.
Comprei-lhe um pequeno amplificador, um Crate com 30 watts de saída, com o qual me fartei de tocar; o amplificadorzinho dava um som razoável, mas distorcia mal se aumentava um pouco o volume; o Tó explicou-me que aquilo não era defeito, era apenas limitação do amplificador, que era fraquinho.
Por isso algum tempo depois comprei uma pequena mesa de mistura e recomecei a tocar cada vez com mais vontade; o Tó desencantou-me um pedal de efeitos Zoom A2 que é muito bom e as coisas estavam a correr mesmo bem.
Nesse contexto a ideia de experimentar fazer umas gravações em estúdio surgiu naturalmente.
Já em 2006 comecei a preparar algumas canções para estúdio, embora não fizesse a menor ideia de quais as exigências que a gravação em estúdio implica e por isso só consegui gravar nove canções, no Verão de 2006, que veio a ser o meu primeiro disco gravado em estúdio.
Apesar de não estar uma maravilha - os defeitos são mais que muitos e nem vale a pena enumerá-los - o resultado final agradou-me bastante.
Mesmo com todos os defeitos, o Tó Carlos conseguiu dar ao disco uma sonoridade que eu não pensava possível.
No Outono/Inverno seguintes gravei uma série de canções em casa, simulando o ambiente de estúdio, através de um aparelho muito simpático que dá pelo nome de Link USB e permite realmente fazer experiências muito interessantes.
Assim gravei em casa o meu segundo disco de 2006, tentando outros voos, sem a pressão do estúdio e com toda a calma.
Chamei-lhe "No More Excuses".
Com essa experiência foi-se-me insinuando a ideia de que convinha aprofundar a prática de gravação em estúdio, pois o som é incomparavelmente melhor: não só as condições físicas do estúdio são bastante mais satisfatórias, como a intervenção de um profissional de som torna o resultado final muito mais aceitável.
Por isso reuni algumas das canções que andava a tocar e em 2007 gravei o meu terceiro disco.
Há sobressaltos que vêem por bem.

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